segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pedi a minha avó(de sangue) embora sangue me remeta ao pathos que une as pessoas, ao padecimento e a comunhão a despeito de tudo(mas na falta de outro termo com que designá-la, vai esse mesmo) que me desse uma lembrança do avô morto que nem conheci. Desde que ela me deu seus óculos. Era enorme, armação dourada e veio numa caixinha verde oliva toda carcomida. Guardava na gaveta das calcinhas salvo engano. Na verdade sempre alimentei a pretensão de usá-lo quando tivesse o rosto maior. Mas mesmo hoje, já adulta, conservo o rosto ainda muito fino e exíguo, infantil mesmo. Portanto, o medo que ele me fugisse frouxo à face me reteve. Mas antes isso, pelo menos teria o consolo de dizer que foi avariado pelo uso, poderia dizer que senti em minha fronte errática o peso da armação flutuando no rosto. De qualquer maneira, deve está guardado até hoje em uma gaveta que não mais me pertence, n'outra casa. Bobagem, aos 11 ganhei meus próprios óculos estreito e apertado, sob medida.

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