segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Alcina, cega. Cheiro de... Tirou-me o primeiro galo da testa com um facão. Caldinho de feijão com arroz. No cabelo, shampoo Johnson de camomila pra mantê-lo loirinho. Cadeira de balanço em frente a estante de vinis. Cheiro amadeirado. Telefone de disco, pelo qual sempre tive vontade de ligar pra pizzaria. Cágados enterrados no quintal que pareciam  se esconder pra eu não vê-los, peixe elétrico num tanque. O bode que uma vez me deu uma carreira. O infeliz do ex-marido que a abandonou ou o contrário, nunca soube ao certo. O Roque. Sempre ouvia dizer a minha mãe, quando reclamava de alguma coisa do meu pai: Ah, minha filha, é assim mesmo, não vê aquele desgraçado do Roque... Enfim, Alcina calcinou e antes disso nem fui vê-la. Medo de encontrar uma ausência pr'aqueles lados. Vovó Alcina, mais minha avó que qualquer outra. Ponta Grossa. Ainda olho pra porta da sua casa quando passo por lá. Praça Moleque Namorador, carnavais alegres. Bairro feliz.

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