Minha mãe foi quem me alfabetizou e me ensinou uma porção de outras coisas. Mas isso pouco me importa. Nunca lembro disso. Quem me ensinou as melhores coisas foi sempre o ausente.Como a pescar, a curtir música e a me fingir de esperta, a malandragem bruta de viver com pouco e demonstrar alegria assim mesmo. Afinal de contas eu não era filha de rico. Queria ter aprendido a beber com ele também, a ficar de conversa fiada em qualquer bar da esquina e sempre achar alguém a quem chamar de camarada. Pelo menos sempre se tem com quem conversar e chorar quando se é assim. Chorava quando bebia. Tínhamos um móvel cheio de bebidas na sala com latas de cerveja antigas dentro, adorava abrir pra sentir o cheiro do cachimbo que também ficava lá. A aparência diáfana das garrafas produziam um efeito mesmerizante em mim, embora sempre tivesse pressentido que o conteúdo era amargo. Sorver o tabaco e exalá-lo através da fumaça incensante sempre me pareceu mais instigante. Filosófico mesmo. Oh, Deus, não seria melhor ser ébria.
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